Anos 50

abril 21, 2010 por  
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Depois de alguns anos sem Copa do Mundo – a última havia sido disputada na França, em 1938 – o Brasil abriria uma nova fase do seu futebol na inauguração do Maracanã, no Mundial de 1950. A perda do título para o Uruguai representou o desespero do povo brasileiro, que contava com o título máximo do futebol universal, mas que deixou escapar, até hoje, não se sabe como. 

Governava o País o general Eurico Gaspar Dutra, que mesmo com a vitória na guerra, ao lado dos aliados deveria dirigir um país repleto de problemas de todas as ordens. Nesse período surgiram inovações no campo energético, com a usina de Volta Redonda. Vargas volta ao poder, mas suicida-se pouco depois. 

Em Santa Catarina, no final da década, o povo chorou a morte do governador Jorge Lacerda e do ex-presidente Nereu Ramos em acidente aeroviário, sendo o mandato concluído por Heriberto Hülse, que embora originado do Sul do Estado era também um amante do esporte. Em Blumenau, 1950, recordava a vinda do Dr. Blumenau e os primeiros colonizadores. Cem anos depois suas filhas vinham conhecer a cidade, ocorrendo grandes comemorações, inclusive a realização de um citadino entre Olímpico, Palmeiras e Guarani. 

No futebol do Estado surgia a maior força do cenário estadual, o Carlos Renaux, que dificilmente era superado pelos mais diversos clubes catarinenses.  

Coisas do Futebol  

Equipe do Olímpico no início da década de 50

Campeão estadual em 1949, em final disputada em maio de 1950, o Grêmio Esportivo Olímpico tinha tudo para repetir o grande feito de vitórias naquela temporada, mas esbarrou em duas equipes que haviam preparado verdadeiras barreiras para o detentor do título catarinense: o Carlos Renaux e o Palmeiras. 

Eram dois títulos que interessavam ao clube: Campeonato da LBD (Liga Blumenauense de Desportos) e o Citadino, em comemoração ao Centenário de Blumenau. Na primeira competição, Carlos Renaux, o tricolor da cidade dos tecidos, surpreendeu a todos, levando o título e chegando a decisão estadual. 

Perdido o título regional, o Olímpico partiu para a disputa do Campeonato do Centenário, tendo como adversários o Palmeiras e o Guarani. O alvi-verde sofrera uma mudança em sua equipe, buscando com isso um reforço considerável para as competições futuras. Conseguiu trazer de volta o goleiro Oscar, campeão estadual em 1949 pelo Olímpico, o zagueiro Antoninho, o lateral Osny, que estava em Curitiba, além de Alvarenga e Piazera, de Joinville, Britinho, do Avaí, Agostinho, do Bonsucesso do Rio, Paulinho, veloz ponteiro paranaense e Valdir, goleiro do Atlético de São Francisco. Juntamente com esses atletas, mais os remanescentes da campanha anterior, como Sadinha, Teixerinha, Lazinho, Schramm, entre outros, tornaram-se verdadeiras dores de cabeça para o técnico do Olímpico, o experiente Leleco. 

O campeonato da cidade iniciou-se em 13 de agosto, com o Olímpico sofrendo para vencer o Guarani, na Itoupava Norte, por 5×4. Em 16 de agosto viria o primeiro clássico, no Estádio da Baixada. Aos 59 segundos Paulinho abriu o marcador para o Palmeiras, mas o empate veio aos 25 minutos. Novamente Paulinho, estreiando em competições oficiais, acabava com as esperanças dos grenás. O primeiro turno encerrou-se com outra vitória do Palmeiras, por 3×0 sobre o Guarani. 

No returno, dia 27 de agosto, novamente o mesmo Guarani volta a atrapalhar os planos do Olímpico, que por muito pouco escapa do 0x0 em pleno Estádio da Baixada, com um gol de Juarês. 

Na decisão o Olímpico precisava de uma vitória, mas foi surpreendido pelo esquadrão palmeirense sendo derrotado por 4×1 no dia 10 de setembro. Mais um título perdido; pior ainda, para o inimigo número 1 do clube. Coisas do futebol. 

A disputa do ano de 1951 tinha tudo para novamente ser o Carlos Renaux campeão da LBD. Inexplicavelmente a cidade foi surpreendida com a transferência de Teixeirinha para o Carlos Renaux, tirando assim do Palmeiras seu principal ídolo. Dessa forma o adversário da equipe verde não era mais o Olímpico, que se aproveitou dessa “guerrinha de nervos” para chegar ao título daquele ano. O time da Alameda Rio Branco havia sofrido algumas modificações, começando pelo goleiro, que com a saída de Oscar, o lugar foi ocupado por Viana; na zaga, além de Aducci e Arécio, havia o revezamento com Gastão e Adir; o clube trouxe ainda o jogador Jalmo, um dos grandes destaques daquele ano, além de Piazera, já que Walmor, campeão da época havia se licenciado como jogador para dedicar-se à vida profissional de médico. 

A campanha iniciou-se com uma vitória sobre o Guarani, por 4 a 1, passando logo em seguida a equipe blumenauense sobre o Paisandú, por 4 a 2. 

O primeiro clássico veio no dia 28 de outubro; Palmeiras e Olímpico realizaram uma disputada partida, que durante o período normal fora repleta de grandes emoções. A vitória coube aos grenás, por 5 a 4; A equipe do Olímpico ainda passaria pelo Carlos Renaux, por 3 a 2, em surpreendente partida realizada em Brusque, indo para o returno com todas as condições de repetir o feito de 1949, em termos regionais. 

No início da segunda fase do campeonato da LBD, o Olímpico recebia de volta o técnico José Pera, trazido pelo novo presidente, Arnaldo Martins Xavier, que assumia no lugar de Werner Eberhardt, os destinos do clube. Na primeira partida, porém, realizada em Brusque, não suportou o potencial do Carlos Renaux, que apoiado pela torcida venceu por 3 a 1. No jogo seguinte o Olímpico conseguiu uma boa recuperação, superando o Paisandú por 4 a 1, chegando novamente à liderança do campeonato, já que o Palmeiras o ajudara, derrotando o Carlos Renaux, na estréia do ídolo Teixeirinha, por 2 a 0. 

Apesar de ter empatado em 1 a 1, diante do Guarani, em um jogo totalmente desencontrado, bastou ao Olímpico dobrar o Palmeiras em um novo clássico, por 2 a 1, com tentos de Cará e Renê, com Abreu (ex-Olímpico) descontando para o adversário. 

Mais um título regional, o antepenúltimo da era intermediária do futebol catarinense – das disputas concentradas em regiões, antes de mais um triunfo do alvi-rubro, já em 1964. Além do título o Olímpico teve o goleador do campeonato da LBD, o ponteiro esquerdo Renê, com sete gols. 

“Vacas Magras” por alguns anos. Enquanto que no atletismo o clube alcançava inclusive destaque a nivel nacional, no futebol perdia campeonatos, mas sempre chegando entre os principais da região. 

O time maravilhoso do final da década de 40 e início da de 50 havia se desfeito, tendo apenas Aducci, como o último remanescente, até 1961, quando o clube voltou aos louros da vitória. A direção chegou a trazer bons craques durante esse período, como o próprio “eterno artilheiro” Teixeirinha, mas esse já em final de carreira.

A década de 60 foi para o Olímpico mais um momento de muita glória, mas do próprio declínio do futebol, embora belas campanhas, e consolidação de seu enorme patrimônio, que hoje ainda é um marco na vida social blumenauense. 

Na verdade não faltava espaço nos noticiários de todo o Mundo o grande feito de Yury Gagary, o primeiro homem a ver a Terra do início do infinito: “Ela é azul”. O Globo Terrestre presenciara mais um conflito, na Coréia, e experimentava o início da “Guerra do Vietnã”. 

A violência prosseguia em termos mundiais. Na Alemanha era erguido o muro da vergonha, e em Dallas, nos Estados Unidos Kennedy, assassinado. 

No Brasil JK termina “os seus anos dourados”; Jânio vence as eleições com larga margem, mas renuncia logo em seguida, alegando pressões de “Forças Ocultas”. Os brasileiros influenciavam-se com os gritos de Paz sugeridos pelos Beatles, com o ritmo de Elvis Presley; a jovem guarda se apresentava; surgia a televisão; e uma série de inovações. Blumenau se projetava: Vera Fischer, Miss Brasil. 

Por outro lado, iniciava-se no País um período negro que só encerrou-se 21 anos depois – a repressão. Jânio, Brizola, Jango e Jucelino no exílio. As idéias latinas começam por Cuba, morre Chê Guevara. 

Em Santa Catarina o período de governo foi de Celso Ramos e Ivo Silveira; esse último dotando o Estado com inúmeros ginásios esportivos. Arthur Schlösser criava os jogos abertos, e no futebol iniciava-se uma nova fase, com maiores dimensões e abrangência. Blumenau vivia a comemoração de mais um título estadual, embora que fosse a última década do profissionalismo branco-grená. O Olímpico reestruturava-se incrementando sua condição de clube sócio-recreativo.

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