Jogos Abertos: Blumenau no Atletismo

abril 21, 2010 por  
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Equipe de revezamento 4x100: Karen, Carmen, Varlene e Janete

A primeira edição dos Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC) aconteceu entre os dias 7 e 12 de agosto de 1960, contando com a participação de 14 municípios. Em Blumenau, a Liga Atlética coordenava a parte amadora e na competição, que teve a inspiração do brusquense Arthur Schlösser o nascer de uma das mais tradicionais do amadorismo brasileiro. Os atletas do Olímpico se destacavam novamente nas diversas provas de atletismo, levantando o primeiro título. No ano seguinte, no II JASC, para Blumenau coube apenas a segunda colocação, ficando Florianópolis em primeiro lugar.  

Blumenau voltou a vencer, tanto no masculino como no feminino em 1962, quando a competição foi realizada na cidade. A partir de então, os Jogos Abertos trouxe um maior rodízio entre atletas nos clubes de cada município. Isso prejudicou o Olímpico, que necessitou concorrer contra o poder econômico de outros clubes. 

Em 1963 cria-se uma diretoria autônoma do atletismo do Grêmio Esportivo Olímpico, encabeçada pelos próprios atletas, entre os quais Egon Belz, que depois de algumas temporadas como atleta do Pinheiros, em São Paulo, retornara à cidade, ocupando a presidência, junto com Orion Tonolli, Egon Lauterjung, Rodolfo Bittencourt, Waltrudes Koball, Ivo Clarindo, Karin Lauterjung, Illa Ittner, Carmen Pfuetzenreiter, Raulino Silva e Waldemar Thiago de Souza, que também retornava ao clube.  

Essa gestão dirigiu durante três anos o departamento, ocasião que teve que restaurar a pista de atletismo, adquirir novos equipamentos, consertando outros, assim como instrumentos de competição.  

A saída do professor Arruda no início da década de 60 desmotivara os participantes do atletismo do Olímpico, mas em 1963 foi contratado para o posto o militar Sargento Moacir Lisboa. Somente em fins de junho a equipe voltou a competir em um campeonato interno da LAB, sendo vencido pelos atletas do Amazonas no masculino e feminino. Isso repetiu-se mais adiante, em 7 de julho. Uma semana mais tarde o quadro inverteu-se, com o Olímpico recuperando a liderança e hegemonia na cidade.  

Termina o futebol no Olímpico, mesmo com o Brasil levantando o Tri-Campeonato no México. O país, ainda comandado pelo militarismo vê o surgimento da Transamazônica, nasce o “Milagre Brasileiro”, mas as perseguições prosseguem. O Mundo Árabe começa a revolucionar o Ocidente com a majoração nos preços do petróleo, e constantes conflitos são verificados no Oriente Médio. Kissinger assina a paz no Vietnã; nos Estados Unidos o escândalo de Watergate derruba Nixon.  

Em Blumenau os anos 70 marcaram grandes fatos, como a eleição de Ingrid Budag a Miss Brasil; o fim da estrada de ferro; nasce o Jornal de Santa Catarina; transladados os restos mortais do fundador Otto Hermann Bruno Blumenau. O Presidente Figueiredo visitaria a cidade e novamente as enchentes voltariam a importunar seus habitantes.  

No Grêmio Esportivo Olímpico o fim do futebol representou o início de uma nova era, a do atletismo, que por várias fases passou até chegar a tornar-se uma espécie de sinônimo no clube. As conquistas importantes voltariam ao clube em disputas a nível estadual e nacional. Blumenau se firmava cada vez mais como a Capital do esporte amador, um título muito cobiçado por qualquer município catarinense.  

A partir de então criou-se uma sadia rivalidade com os atletas do Bairro Garcia, que em agosto venceriam novamente no masculino, já que no feminino prosseguia o Olímpico em melhor forma.  

Blumenau recuperava-se no atletismo catarinense, com atletas do Olímpico e Amazonas servindo o nome da cidade no Campeonato Estadual e vencendo novamente Florianópolis. O mesmo ocorreu alguns dias mais tarde, nos JASC de Joinville, embora no masculino a equipe foi surpreendida por poucos pontos à CME Florianopolitana. 

O ano de 1964 foi de cem por cento de aproveitamento nas competições que o Olímpico participou. Além do bi-campeonato estadual de futebol, consagrado apenas em 1965, representado grande parte da equipe de Blumenau que participou dos Jogos Abertos, em Porto União, o Olímpico ajudou a cidade a trazer novamente o título geral da competição. 

As dificuldades do país, com o Golpe de 64, refletiram diretamente nas atividades esportivas amadoras do Olímpico. Seu técnico, sendo um militar, não pôde mais servir à equipe. Apenas alguns abnegados independentes, como Waldemar Thiago de Souza, conseguiram participar de competições. A principal delas foi na Corrida de Fundo de Apucarana, no Paraná, obtendo a 10ª colocação, resultado este significativo pelo alto nível dos atletas.  

De 1965 até 1970 a participação do clube em competições ficou restrita. A pista de atletismo, bem como as caixas de areia necessitavam de reformas. Egon Belz, que havia se afastado do departamento amador retoma juntamente com outros abnegados a partir de 1971, iniciando-se nova luta em prol desse setor. Atletas do Olímpico nesse período intermediário competiram em alguns eventos isolados, sem resultados de maior vulto, mas por outro lado, nessa época via-se formar atletas de uma nova geração, como por exemplo Mara Fuhrmann.  

O maior destaque ficou nos Jogos Abertos de Santa Catarina. Blumenau volta a vencer no masculino e feminino em 1965, mas perdia no ano seguinte, no feminino, em Lages, para as equipes de Florianópolis e Joinville.  

A falta de instalações na sede dos Jogos Abertos tirou o atletismo dos JASC de Joaçaba em 1967, de forma que apesar de haver preparativos dos atletas blumenauenses e a delegação ir ao Oeste competir não deixaram de participar em 1968, na cidade de Mafra.  

Em 1971 o Olímpico volta a brilhar no atletismo, com uma equipe novamente competitiva. Nos Jogos Abertos de Rio do Sul, atletas como Ingrid Roessel (100m), Marly Wuergers (salto em altura), Marlene Eberhardt (80m s/barr.), Romeu Jaehrig (salto em altura), Assad Nainf Sofia (arremesso de Peso), trariam medalhas de ouro, todos batendo recordes. Nesse ano lembrava-se ainda os feitos de muitos atletas que fizeram do clube uma grande força do amadorismo até o final da década de 60, como Illa Ittner, Karin Distel, Jeny Lino, Edgar Anuseck, Horst Bonett, Gerald Dressler, Raulino Silva, Romeo Jaehrig, Rigoberto Kretzschmann, Romualdo Bonnemassou, Edemar Fahr, Mário Padaratz, Osmar Ramos e Carlos Schneider.  

Logo em seguida o Grêmio Esportivo Olímpico reinicia seu trabalho de base, formando novos atletas, estendendo a oportunidade da iniciação ao atletismo a crianças e jovens de toda a região.  

Edgar Arruda Salomé retornou ao clube no final de 1972, princípios de 1973, idealizando novamente o atletismo como esporte competitivo. O Grêmio Esportivo Olímpico assina convênio com a Comissão Municipal de Esportes e 4ª UCRE, sendo colocada uma equipe de nove professores para ministrar as aulas.  

Até maio de 1974 as modalidades estavam bastante diversificadas, existindo uma grande procura pelo salto em altura, salto em distância, salto triplo, salto com vara, arremesso de peso, dardo, disco e martelo; corridas das mais variadas metragens, além dos esportes coletivos. Em pouco tempo já existia uma equipe a nível nacional para competir com as melhores do País. 

Mara Fuhrmann: a primeira atleta adotada por uma empresa em Santa Catarina em 1974

Atletas de renome, como Paulo César Zimmer, Zé Maria Nunes, Walter Dick, Ivan de Amorim, Mara Fuhrmann, Miguel Raimundi, Renato da Silva, Jorge Luiz da Silva, Fredel e Rubens Rüdiger, venceram todas as provas a nível estadual que participaram, iniciando-se então outra luta: o financiamento destas modalidades. Surgiu então a idéia da campanha “Adote um atleta”, que em Santa Catarina nasceria e seria colocado pela primeira vez em prática em Blumenau, exatamente com integrantes da equipe do Grêmio Esportivo Olímpico.  

A primeira empresa a dar essa oportunidade foi a Cia. Hering, que adotou Mara Fuhrmann, recordista sul-americana em corrida de fundo, e que muitas vezes brilhou representando o Brasil em competições internacionais.

Em 1975 assume o comando da equipe o professor Edgar Campos, e sobre a boa base construída desde o início da década, o Olímpico conseguiu manter sua regularidade, embora que em Jogos Abertos era mantida a grande rivalidade entre Blumenau, Joinville e Florianópolis.  

Paulo Zimmer: recebendo o prêmio pela conquista da Corrida de Integração Nacional

Talvez um dos maiores títulos a nível nacional, no masculino, foi conseguido em 1976, com Paulo Zimmer vencendo a Corrida da Integração Nacional. A competição era realizada preliminarmente à de São Silvestre, nas ruas de São Paulo. 

 Problemas de ordem interna deixaram novamente o atletismo esquecido no clube. No ano de 1977 o Olímpico ficou irreconhecível. Deixou suas instalações de atletismo deteriorarem-se, e por alguns anos ninguém mais acreditaria que o esporte amador pudesse ressurgir das cinzas.  

O presidente Zani Rebelo, eleito para a gestão 1981/1983, voltou a agilizar o departamento, chamando alguns atletas entre os quais o próprio Paulo Zimmer. Depois de firmado convênio com a prefeitura recomeça o trabalho, a partir do interesse do filho do próprio associado, surgindo nomes hoje consagrados como Ivonete Schmitz, Sandra André, Valmir Thiago, Ângelo Thiago, Leomar Estácio, Solange Retzold, Celso Melizeski, Fernando Mafra e Cláudio Thiago. 

 A partir de então ressurgiram os anos de glória, e os bons resultados influenciaram os diretores do clube a investirem nessa nova força. A equipe ganharia nada menos que 150 corridas, entre as principais, provas do campeonato brasileiro de atletismo nos 5 e 10 mil metros masculinos, através de Zimmer; dos 1.500 e 3 mil metros feminino, com Ivonete Schmitz e Sandra André, que também se destacariam em provas rústicas em todo estado e algumas cidades fora de Santa Catarina.  

Entre as principais destacam-se a Corrida de Rua Cidade de Florianópolis, Prova Polícia Militar de Santa Catarina, Maratona Artex/Bela Vista, Corrida da Fogueira Artex, etapas do Circuito IBM, Rústica de Praia e principalmente no Troféu João Carlos de Oliveira, uma das mais tradicionais e competidas provas. 

 A corrida de fundo, de rua e maratonas trariam outra identidade ao Olímpico, que teve em seu seio a criação de uma nova entidade, a Associação dos Corredores de Rua de Blumenau, em 1987, idealizada por veteranos como Luiz Alberto Zipf, Raul Cardozo, Horst von der Heide, Orion Tonolli, Edemar Winkler, Josemar Batista de Oliveira, Otacílio Peron, Hélio C. Ferreira e Roberto Koerich.  

Em 1987 criava-se a Corrida Rústica Grená, com a participação de atletas de alto nível em todas as suas edições, assim como a Corrida Anti-fumo, idealizada por um grupo de médicos associados do Grêmio Esportivo Olímpico.  

A partir desse trabalho, novamente o Grêmio Esportivo Olímpico voltou a ser um celeiro atlético, com uma equipe formada de aproximadamente 20 corredores. Ainda dentro desse novo espírito, nasceu a idéia de uma competição de maior envergadura, sendo idealizada através da Corblu (Associação dos Corredores de Ruas de Blumenau) a Maratona de Blumenau durante a Oktoberfest de 1987. A competição foi vencida exatamente por Ivonete Schmitz, no feminino, e Déclis Maciel, no masculino, atletas pertencentes à equipe do Olímpico. 

Veteranos da Corblu: Horst Von der Heide, Edmar Winkler, Hélio Ferreira, Norberto Koerich, Érico Becker, Josemar Oliveira, Marcos Nementz, Raul Carodozo, Luiz Alberto Zipf e Valdemaro Ferreira

Equipe de fundistas

Ivonete Schmitz: vencedora da 1ª Maratona de Blumenau em 1987

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